tudo começa com uma pequena recordação inaugural. a imagem mais forte que resiste ao esquecimento. como a eterna falha de uma ausência a ser preenchida. o eterno motivo firmado no caminho que é mostrado e não é dito.
a casa não é a casa da nossa infância, porque as casas da nossa infância já não existem, ainda que estejam onde sempre estiveram. mas a imagem da memória mudou de lugar, fixou-se num intervalo de aparência e sonho. nada pode estar afectado daquilo que poderia ter sido ainda hoje. essa é uma representação que não nos interessa no presente. nada se transfere deste lugar desconhecido para o lugar da nossa casa. e todavia está lá tudo, condensado numa partícula. a vacuidade do fragmento pode ser mágica e também não é preciso dizermos tudo, onde tudo começa. [vamos continuar, nem que seja atrás da porta por abrir, num futuro sempre sem promessa.]
